domingo, 18 de março de 2012

Clarice L. Água Viva

Porque a lua cheia é de uma insônia leve: entorpecida e dormente como depois do amor. Clarice L. Água Viva

Água Viva, Clarice L.

Estou respirando. Para cima e para baixo. Para cima e para baixo.

Água Viva, Clarice L.

O próximo instante é feito por mim? ou se faz sozinho? Fazemo-lo juntos com a respiração. E com uma desenvoltura de touro na arena. 

Água Viva, Clarice L.

O mundo não tem ordem visível e eu só tenho a ordem da respiração. Deixo-me acontecer.

Água Viva, Clarice Lispector

Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor mas agora estou livre de ti. Venho do longe - de uma pesada ancestralidade. Eu que venho da dor de viver. E não a quero mais. Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconsequência. Liberdade? é o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e aguento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ah essa coisa chamada saudade

ah, a saudade era tão grande que ela fez a coisa errada, a rainha já tinha lhe dito:  Tome cuidado para que o rigor não a faça fazer atos pudicos ou sem escrúpulos, para não haver qualquer desvio do que é considerado a norma. E ela de certa forma, para querer a presença embora ilusória, teme agora ter incorrido no erro. Voltou-lhe tudo, a dor, a saudade, o refluxo, a vontade de perdoar e não ter mais a quem. Por que era ela assim, se condenava, se culpava, porque ela tinha que ser assim, ardente, passional, destemida, testemperada. Ah, a calma, beber água, esperar, contar até dez, mas ela havia contado até dez mil e mesmo assim não havia funcionado.

Eu, o Chico e a Meg


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mulher, trabalhadora, mãe, destra, filha, irmã, amiga, solteira.